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Casa Aberta #01 – Roberta Rampazzo

O design está nos objetos que escolhemos, nos espaços que habitamos e, muitas vezes, nas histórias que contamos sobre nós mesmos.

É a partir dessa ideia que a Firma Casa apresenta Casa Aberta, uma nova série editorial que, a cada edição, convida um designer para compartilhar seu olhar sobre criação, referências, processos e sobre o papel do design na vida cotidiana.

Para inaugurar essa conversa, convidamos Roberta Rampazzo, designer brasileira radicada em Londres, para falar sobre aquilo que inspira seu processo criativo, o que o bom design pode provocar, os desafios do design contemporâneo e a relação afetiva que construímos com os objetos.

 

Sobre Roberta Rampazzo

Radicada em Londres, Roberta Rampazzo cria peças que unem sensibilidade, presença marcante e uma busca constante por significado. Seu trabalho é reconhecido internacionalmente pela clareza das formas e por um olhar autoral que transcende tendências, criando objetos pensados para integrar o cotidiano das pessoas com propósito.

As criações de Roberta são guiadas pelo design emocional: a visão de que os objetos ajudam a contar a nossa história e a construir espaços que nos acolhem e representam.

Cada peça reflete seu olhar atento aos detalhes, o uso de materiais de alta qualidade e processos sustentáveis, traduzindo o respeito ao meio ambiente e o compromisso com um consumo consciente e atemporal.

Com publicações em dezenas de veículos como Wallpaper*, AD France, Elle Decoration e Vogue Arabia, e contemplada por premiações nacionais e internacionais, a trajetória de Roberta se consolida pela harmonia entre estética, utilidade e conexão afetiva, resultando em criações desenhadas para inspirar e permanecer.

 

CASA ABERTA

  1. O que mais inspira seu processo criativo atualmente?

R: “Minha maior inspiração vem daquilo que vivo, observo e sinto. Cada peça que crio é uma representação do meu olhar sobre o mundo, seja através da arquitetura, das artes, do cinema ou do modo como me relaciono com o cotidiano.

Mas, mais do que uma busca estética, meu processo criativo hoje é um canal para contar histórias e transmitir o que acredito como ser humano. Sou uma pessoa muito ligada à minha essência, à busca por evolução e aos aprendizados da vida. Tenho impresso cada vez mais essa dimensão pessoal e esses valores nas minhas criações.

Para mim, as peças deixaram de ser apenas objetos: elas carregam mensagens, sentimentos e intenção. É o design emocional na sua forma mais genuína, onde cada criação reflete um pouco de mim e da forma como me conecto com a vida.

  1. O que o bom design precisa provocar nas pessoas?

R: “A relação entre um objeto e quem o usa é algo muito forte. As peças que escolhemos para ter por perto ajudam a contar a nossa história e a construir um espaço que nos acolhe, nos representa e faz parte de quem somos.

Viver em um ambiente bonito, agradável e funcional transforma a nossa rotina. Essa harmonia afeta diretamente o nosso bem-estar, o nosso humor e a nossa qualidade de vida, mais do que imaginamos.

Para mim, o bom design é justamente aquele que alcança esse equilíbrio. É o objeto que não cumpre apenas uma função estética ou prática, mas que consegue criar uma conexão verdadeira e emocional com as pessoas.

  1. Qual é o maior desafio do design contemporâneo hoje?

R: “O design sempre foi um reflexo fiel do seu tempo e da sociedade. Antigamente, as particularidades culturais de cada país ou região eram muito marcantes e se expressavam claramente na arte, na arquitetura e no design.

Com a globalização e a velocidade da informação, o consumo se homogeneizou e, infelizmente, o design também acabou ficando muito parecido em todo o lugar, perdendo essa riqueza regional tão bonita e importante.

Para mim, o maior desafio hoje é justamente conseguir criar peças que se destaquem em meio a tanta padronização. Peças que consigam conversar com o mundo todo, mas que ainda guardem algo genuinamente especial.

E é exatamente aí que entra a base emocional da minha criação. A minha história, os meus aprendizados e o meu olhar sobre o mundo são únicos, ninguém pode replicá-los. Quando coloco essa verdade e esse sentimento nas minhas peças, elas ganham alma própria e se tornam singulares.

  1. Qual designer, arquiteto ou artista mais inspira o seu olhar? Por quê?

R: “Não tenho um único nome ou um momento específico da história do design e da arquitetura que eu considere a minha maior referência.

Consigo enxergar a beleza e admirar o trabalho de diversos profissionais, inclusive de fora do design tradicional, como no universo da moda ou arquitetura, onde a forma de trabalhar a matéria-prima, as cores e o produto muitas vezes me encanta.

Gosto da diversidade de estilos, peças e movimentos. No entanto, se eu tiver que apontar a minha principal fonte de inspiração, ela continua sendo o próprio ser humano: a forma como nos comportamos, como nos relacionamos com os espaços e como o design pode tocar a vida das pessoas.

  1. Qual objeto da sua casa você nunca abriria mão?

R: “Achei essa pergunta superinteressante! Como designer, sou fascinada pelo poder que os objetos têm de comunicar quem somos e no que acreditamos.

Para mim, cada peça tem uma relevância enorme, mas essa importância se multiplica pelo contexto, pelas memórias e pela intenção com que ela é colocada no espaço.

Tenho em casa objetos muito especiais; garimpados em viagens, peças de designers que admiro ou itens que marcaram fases da minha vida. Mas, se eu tivesse que escolher apenas um objeto indispensável no meu dia a dia, seria o meu computador.

Não pelo objeto físico ou pela tecnologia em si, mas pelo que ele guarda e possibilita: é ali que ganham forma os meus projetos, onde estão registradas as minhas memórias de vida e meu acervo visual.

Ele não é apenas um objeto, é onde se conectam o meu processo criativo, a minha mente e a minha história.

  1. Para fechar: qual pergunta sobre design você gostaria de deixar para o nosso próximo convidado?

R: “Para além da sua profissão, o que o design representa na sua vida pessoal e no seu dia a dia?

 

Ao longo desta primeira edição da Casa Aberta, Roberta nos lembra que o design pode ir muito além da forma, da função ou da estética. Pode carregar histórias, memórias, valores e diferentes maneiras de olhar para o mundo.

Para encerrar esta primeira conversa — e abrir caminho para a próxima — Roberta deixa uma pergunta para o nosso próximo convidado:

“Para além da sua profissão, o que o design representa na sua vida pessoal e no seu dia a dia?”

A pergunta fica. A conversa continua.

Casa Aberta | #02 — em breve.

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