Firma Casa Paper 5ª ed. – Perspectivas Particulares / Saiu da Planta

23 de abril, 2026

Entre pausas e encontros

Na cobertura duplex do empresário Alexandre Birman, o projeto nasce de um repertório construído entre arte e design. Caroline Marzano e Meire Gomide assinam o desenho do apartamento que se adapta ao cotidiano e aos dias de casa cheia.

Caroline Marzano e Meire Gomide.

A primeira impressão vem da arquitetura. Pé-direito alto, 26º andar e a cidade de São Paulo como pano de fundo em todos os ângulos. Mas a perspectiva particular do projeto é a de seu morador. Desde o início do trabalho, Alexandre Birman apresentou um direcionamento claro, gosto definido e o desejo de criar uma atmosfera especial.

“Logo que começamos, ele levou para o estúdio um livro do arquiteto e designer italiano Giò Ponti – referência de leveza e precisão – e pediu que considerássemos aquilo como ponto de partida”, lembra Caroline Marzano, arquiteta de interiores e autora do projeto, em parceria com Meire Gomide. “A obra, que levou dois anos para ser concluída, começou no entendimento do que o Alexandre queria sentir ao entrar em seu apartamento, e como essa sensação podia se traduzir em espaço.”

A piscina em sodalita ganha um azul intenso que, somado à vista de São Paulo, faz o espaço parecer suspenso sobre a cidade.

A rotina do dono da casa, que viaja a maior parte do ano, conduziu o desenho do projeto. Dias de passagem por São Paulo pediam um refúgio de pausa. Dias de encontro pediam um lugar para receber com conforto, sem engessar a circulação. O duplex precisava sustentar silêncio e movimento, com ambientes conectados e flexíveis.

No living, uma mesa de jantar para 18 lugares organiza as reuniões e acompanha a fluidez do ambiente. Mas são as obras de arte, espalhadas pela casa, que aprofundam a narrativa do projeto. Entre elas, um móbile de Alexander Calder chama a atenção. “Ao lado de outras peças, a arte reforça a ideia de uma casa construída em camadas, entre memória e coleção”, diz a arquiteta.

Móbile de Alexander Calder é ponto de atenção do ambiente.

Misturas que fazem sentido

O projeto, aliás, cresce na sintonia entre entre o modernismo brasileiro e o art déco. Caroline cita o mobiliário brasileiro como base, com nomes como Jorge Zalszupin, Sérgio Rodrigues, Percival Lafer e Lina Bo Bardi. São peças de linhas mais secas que aceitam bem a mistura. A partir dessa base, o art déco entra em pontos precisos, assim como os conceitos de leveza e desenho limpo de Giò Ponti e o couro como matéria afetiva, ligada ao negócio da família Birman no setor de calçados.

A Firma Casa aparece em escolhas que ajudam a organizar ambientes. No segundo pavimento, por exemplo, na chegada da área da piscina, o aparador Ripas Pedra, dos irmãos Campana, ancora o espaço e marca a entrada. Na antessala da suíte principal, o espelho Miraggio também dos Campana, cria um ponto de pausa e orienta a circulação.

Aparador Ripas Pedra, Estúdio Campana

O projeto se complementa no garimpo de Caroline. Um trabalho de olhar e repertório, com curadoria de peças encontradas em diferentes lugares do mundo, sobretudo na Europa.

Por fim, o espaço ganha vida com arte, objetos e flores. “Digo que a chegada das flores foi o momento em que o projeto ‘saiu da planta’, quando deu para respirar e pensar: nossa, é isso mesmo!”, conta a arquiteta. Aí sim, a casa aparece em camadas, com a história do morador contada em cada detalhe.

 

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